0006. Refazendo as fundações, o casulo.

 Querido diário,

Não imaginei que a morte do Biba ia acarretar em tanta desorganização por aqui. Acabei não conseguindo mais escrever e respeitei esse tempo. Mas tem alguns dias que quero retomar os meus registros por aqui. Por experiências anteriores sei que por mais que eu queira se eu me apegar a ficar contando sobre os dias que se passaram o retorno acabará sendo apenas uma passagem para uma nova longa pausa. Então, não irei dar aqui os relatos desses 8 ou 9 dias em que me ausentei. Estive muito com minha família e amigos, vivendo momentos bem bonitos em meio a diversas dificuldades familiares minhas e de minhas amigas também. Agradeço a Deus por esse tempo com pessoas tão queridas, agradeço por eu ter conseguido chegar a tempo de ver meu padrinho e seu sereno semblante de quem morreu na paz de nosso senhor Jesus Cristo. De alguém que foi bom na vida. 

O que me traz até aqui é uma inquietação imobilizante, paradoxos dessa vida. Estou em movimento interno invisível e parado externamente. Ao mesmo tempo também fujo de encarar tudo o que essa tsuname precisa que eu encare para passar. Dá medo mudar, tomar decisões, ser o que quer que seja que devo ser. Me sinto numa corrida maluca na qual sinto que quase estou desvendando o que eu realmente quero e preciso fazer da minha vida, mas é quase. Sempre quase. Mas quando eu faço uma avaliação mais profunda, sinto que ainda não sei ao certo porque estou aqui. Não que eu esteja procurando uma resposta absoluta, mas conseguir definir algum propósito que seja relamente honesto com meu coração e conseguir minimamente traçar uma trilha para guiar minha personalidade até esse eu que quero me tornar. Resumindo ainda me sinto a lagarta dentro do casulo. Já em uma fase na qual eu quero muito sair e ver de novo a luz do dia, mas eu ainda não tenho força o bastante em minhas asas para quebrar as paredes que eu mesma construí. Que paredes mais robustas, porque fui tão minuciosa, tão ambiciosa talvez. Eu sei a resposta. Eu realmente não estou nessa vida a passeio. Eu quero ser a maior potência de mim e quero sê-lo a serviço de Deus e de sua vontade. E meu ser ainda era tão cru sobre seus ensinamentos que está sendo longa a jornada. Muitos foram os desafios e ao constrário dos grandes heróis das histórias encantadas ou talvez como alguns deles, eu caí em muitas das ciladas que estavam no caminho, ciladas essas preparadas especialmente para testar meu ego. Para apontar as fraquezas todas que haviam na base, na fundação do meu castelo, da minha morada. Tive que retornar várias casas no jogo da vida para refazer toda a estrutura. E ainda assim a refaço sem a certeza de todos os conceitos que estão nela, a verdade é que ainda estou na reforma da base. Não posso começar a casa sem terminar a fundação. Ao mesmo tempo agradeço imensamente por todas as oportunidades que tenho, por não passar por nenhuma necessidade física nesse processo e juro retribuir de todas as formas que eu puder toda a minha família por tanto apoio em todos os sentidos da minha existência. Espero em breve ser merecedora de tal serviço. 

Não sei se estou sendo clara, mas conforme escrevo aqui também o divino atua em mim e me tranquiliza na compreensão de que eu realmente preciso fazer esse serviço de reestabelicimento da fundação bem feito, eu realmente reciso exercitar muito as minhas asas para ganhar força o suficiente para o voo. Cada vez que escrevo aqui, eu entro em profunda conexão comigo e com Deus, e várias coisas me são relavadas da forma mais simples e clara. É simplesmente conseguir para para ouvir. Estar empenhada em ouvir as lições divinas. Nesse momento acabei de me lembrar com muitas lágrimas e muita emoção uma fala simples de alguém que nem me conhece tão bem em relação a minha trajetória na universidade. A Andressa foi minha veterana e ela tem um percurso bem diferente do meu e bem bonito na vida e acabo de perceber o quanto os caminhos dela me são uma lição tão bonita de confiar nos meus próprios instintos e na vida. Como aprendemos com a vida se estivermos atentos. Cada momento, casa coisa que alguém diz, cada pessoa que passa, cada movimento tem ensinamentos divinos feitos diretamente para nós. É de um poder e de uma veracidade absurdas. Peço perdão e agradeço a Deus por todos os cuidados que me são destinados, eu sinto e vejo toda a rede de apoio que deposita em mim sua confiança e seu respeito. E agradeço imensamente a paciência que todos tem com os meus processos que são tão lentos e tortuosos. 

Pouco a pouco sinto que vou matando toda a soberba de meu coração, todas as peças que meu ego prega pra eu acreditar que não aquilo não é soberba quando é. Chegar a humildade genuína é uma das maiores lições que posso carregar ao sair dessa vida. Meu Deus com certeza aquela menina cheia de si e dona de todas as razões que encarnou nessa vida, mesmo que já fosse repleta de interesse verdadeiro pelo próximo, aprendeu a cada dia como o que menos importa é a minha falsa verdade ou meu ponto de vista. Aprendo em cada relação, desde as mais distântes, como colegas de faculdade, até as mais íntimas como meu companheiro Jonatas, como preciso ainda ser mais atenta com o silenciamento do meu ego e a reverberação da verdade divina. E é muito bom conseguir perceber uma evolução e conseguir perceber mais ou menos aonde é que eu estou.

Obrigada por eu estar sempre acompanhada e rodeada de seres que me auxiliam por toda essa trajetória, principalmente por aqueles que se quer sabem o quanto me auxiliariam com poucas palavras ou atitudes ou apenas tendo a coragem de me dizer coisas que eu fiz e que os machucaram. 

Dito tudo isso e tendo recebido tamanhas graças, só me resta orar para conseguir honrar tantas dádivas e tantas vidas que em mim confiaram. Me resta trabalhar em descobrir como desabrochar e me tornar o mais rápido que eu conseguir a borboleta que irá polinizar a palavra de Deus pelo mundo. Polinizar é ação, assim como serei um dia. Mesmo que eu ainda não consiga vizualizar o como, agradeço por ter compreendido aonde estou. 

Com muito amor, 

Bel

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