0000. Quando não desistimos a pausa vira só uma diferença de ritmo em nossa constância.

Querido Diário,

Ouvi, certa vez, que Pitágoras tinha uma proposta de um diário no qual todo dia o seu autor pudesse anotar o que o deixou mais próximo de quem ele quer ser e o que o distanciou disso. Talvez um tanto como os estóicos propunham ou um tanto do que vemos posteriormente nas meditações de Marco Aurélio. Talvez como tantos outros anônimos que passaram por este mundo. Mas ponho aqui o nome de Pitágoras, mesmo sem ter encontrado ao certo como era a sua proposição, pois foi ao ouvir sobre ele que me acendeu no coração o desejo de executar esta missão.

Gostaria de deixar registrado que esta deve ser a quinta vez, mais ou menos, que tento fazer esse diário aqui, e há incontáveis vezes em planos físicos. Por muito tempo me senti fracassada por não conseguir ter a constância desejada, por não conseguir ser tão sintética quanto gostaria em minhas colocações, nem tão analítica. Mas entre indas e vindas acabei tendo um registro bem grande dos meus processos, experiências e pensamentos. O que me permitem hoje, com um pouco mais de maturidade e conhecimento ter um olhar crítico e gentil sobre tudo o que fui, vivi e fiz. Digo isso, para encorajar algum possível leitor, que possa estar passando por dificuldades de escrita ou de alcançar metas. As vezes a constância é mais inconstante do que gostaríamos, mas enquanto não desistirmos, as pausas serão apenas uma composição no seu ritmo e não um fim.

Retomo, então, mais uma vez essa caminhada. Não irei me apresentar, nem me definir, nem deixar claro hoje quem eu quero ser ou quaisquer outros pormenores. Porque esse exercício eu já fiz demais e quero tentar de outras maneiras. Caso haja algum leitor, creio que aos poucos ele consiguirá identificar minhas características sem que eu precise amontoá-las numa apresentação. Penso também que quem estiver lendo não julgue ou pelo menos pondere seus julgamentos. Os textos aqui publicados não passarão por revisões e serão escritos em fluxo contínuo de pensamentos. Para que eu consiga encaixar esse hábito da escrita em todos os dias de minha vida, ou quase todos. Então, provavelmente, haverão muitos erros de português. E de elaboração das frases. Contudo espero que seja legível e agradável a quem quer que seja que tenho o interesse de ler. 

Pois bem, hoje é uma terça-feira de inverno, segundo dia do mês de Julho. Estou desempregada, morando em uma cidade nova onde conheço um total de 4 pessoas, sendo apenas uma um grande amigo, acabei de ser reprovada em um processo seletivo para cursar o doutorado. Me sinto burra, inútil e um tanto desesperada, ao mesmo tempo que já entendo que nenhuma dessas ideias é real e mora em meu peito uma esperança e uma fé gigantesca de que eu estou onde deveria estar. Tem uma sensação de que as coisas podem começar a melhorar a qualquer momento, mas que eu preciso me movimentar para isso. Tenho tentado o movimento, estou estudando para um concurso (ora fico muito confiante nesses estudos, ora compreendo a dificuldade que será ser bem sucedida nesse plano). Também estou me organizando para começar a dar aulas de voluntária, e me inscrevi também em um outro voluntariado de bioconstrução, além de mais um trabalho voluntário que começará em agosto. É tenho descoberto que amo trabalhar voluntariamente, mas que eu preciso começar a trabalhar assalariadamente pra ontem. Enfim, minha vida profissional está uma bagunça.

Contudo hoje eu acordei e fiquei um tempo me espriguiçando, fazia mto tempo que eu não fazia isso e foi maravilhoso. Consegui perceber um fluxo de pensamentos que há muito tempo eu não observava. Os celulares são mesmo um veneno para nós. Estou me propondo a não olhar mais o celular até as 10h da manhã. Passando minhas 4 primeiras horas do dia livre de telas. Além disso, hoje voltei a meditar. Também fiz várias coisas legais, como ir no sacolão, cozinhar (fiz uma sopa de abóbora com cebola e frango maravilhosa), estudar, aproveitar a companhia do Maycow (meu grande amigo e companheiro de casa), lavar roupas e louças, organizar o quarto, e reiniciar este diário. Então, mesmo que a ansiedade por vezes me tome o peito e a garganta e a coluna também, consigo ainda me movimentar e mais do que isso, me divertir com as tarefas que preciso fazer. 

Sei que se quero ter alguma chance nesse concurso e resolver a parte material dos meus problemas todos, eu preciso vencer a procrastinação e também aprender a ter um estudo estratégico. Eu sei que sou capaz e que posso vencer esse desafio com foco e determinação. E assim espero fazer. 

Hoje eu estava começando a entrar em desespero ao perceber tudo o que precisava estudar, e em vez disso, respirei fundo e criei este espaço para poder extravasar minhas emoções. Quero cada vez mais estar em sintonia com quem quero ser e parar de sabotar todos os meus potenciais por um medo sem cabimento de nem sei o que. Eu vou estar independe financeiramente até o final desse ano e será em um emprego maravilhoso e que faça total sentido para a minha existência. Vou contribuir para o mundo de todas as formas que eu puder e o universo vai me emprestar sua energia para que eu tenha fôlego e ânimo para fazer a sua vontade. Quero estar cada vez mais próxima de Deus e de seus planos para mim. E sinto que dia após dia isso está se concretizando. Por isso, não há motivo para desespero, há motivos para confiança. Eu realmente acredito que posso por minha vida nas mãos de Deus e que conseguirei fazer minha parte para chegar aonde quer que eu tenha que chegar. 

Como amanhã quero acordar bem cedo, vou finalizando por aqui hoje. Mas antes quero agradecer ao meu anjo da guarda, à minha família maravilhosa que tanto acredita em mim e me apoia, em todos os meus amigos e amigas que também o fazem, ao Jonatas que tem escolhido compartilhar dessa experiência comigo e com quem eu tanto aprendo sobre confiança e fé, e ao Maycow a quem tanto adimiro e com quem tanto aprendo sobre disciplina e humildade. 

Espero não pular nenhum dia sequer por aqui, e poder ver toda a transformação desse momento tão incerto da minha vida registrada por minhas próprias mãos. Estou também morrendo de saudades do Jonatas e espero que Deus o proteja e abençoe nessa noite. Peço que bençãos também sejam enviadas hoje a minha querida afilhada Fira e sua mãe Patrícia, pois ambas vieram a meu pensamento neste momento. Uma boa noite, 

Com amor, 

Bel 


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